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Texto | Conto | A loba e o poeta | Sandra Paula


Depois de  mais uma noite de amor ao lado de seu poeta, a loba se trancava  em sua solidão.
Adormecida sonhava com os abraços de seu amante e sonhando suspirava a felicidade dos momentos de amor que tinha a seu lado. Uma loba nas horas em que o sol cobria o bosque com seus brilhos dourados. Uma mulher quando a lua cobria de prata as noites orvalhadas. Nunca soube ao certo o motivo deste doloroso destino. Uma magia? Maldição? Nunca soube o que sucedera. Porém, estava vivendo os únicos momentos de felicidade que a vida lhe proporcionava, e estes momentos lhe chegou em forma de poesia.Como que para quebrar o encanto  o destino lhe apresentou o poeta ,um homem  que por si só já era uma poesia. A seu lado tinha vivido momentos de paixão, loucuras de amor e desejos. Tinha descoberto a felicidade de seus momentos de mulher. O poeta conhecia seu segredo, sabia ser impossível viver a seu lado como em uma vida normal. Mesmo assim a amava, a desejava e sabia lhe fazer feliz. Seu segredo não era o bastante para distanciar o poeta da loba-mulher. Ele a fazia viver  intensamente as noites a seu lado. Acordando daquele momento de  letargia, ela contemplou ao longe, a lua que surgia brilhante e convidativa, lua dos amantes, lua da loba e do poeta. Correu velozmente por entre as árvores do bosque... Correu ao encontro de seu amado, seu poeta. Cada vez que a distancia encurtava  a metamorfose acontecia e, ao chegar no lugar que tinha servido de braços para acolher os amantes, o poeta já  se encontrava esperando sua amada. A loba agora já não existia, ali estava uma bela mulher. Corpo desnudo, branca tal qual a lua que brilhava no alto da colina. Suas madeixas caiam-lhe a cintura e seus olhos eram chispas de desejo e amor. Cada encontro era mágico, era novo. Abrindo os braços convidou o poeta a lhe amar, a completar seu fascínio  feminino. O poeta lhe contemplava com paixão, amor, corpo inflamando de desejos. Sem mais esperar a tomou nos braços e iniciou o ritual dos amantes. Já estava difícil seguir uma respiração normal, se desejavam como se fosse  a ultima vez, se tragavam entre sussurros e gemidos, ou seria entre sussurros e uivos? Viviam sua história de amor. Naquele momento só lhes importava saciar a fome que lhes consumia o corpo. Ele a possuiu desesperadamente, e no momento em que ela o teve dentro de si, sentiu uma lagrima que solitária resvalou  em seu rosto de mulher. O poeta lhe acariciava o corpo incrédulo do prazer que recebia e que causará naquele ser tão misterioso. Suas mãos se fechavam  nos seios da mulher que arfava sem conter o frenesi. Sua boca passeava  lentamente no corpo feminino se perdendo na passagem secreta do êxtase que a tomava. Seus dedos a tocavam  ardentemente e ela enlouquecida parecia se perder em meio ao prazer que o poeta lhe causara. Sentia escorrer por suas coxas o liquido viscoso e quente que aflorava do amor que faziam. Ambos se entregavam a loucura das noites febris, sem medo, sem receios. Amavam-se e se queriam, naquele momento o que menos importava era o segredo que envolvia aquela mulher. De repente, ao sentirem os raios do sol que nascia, se deram conta que se amaram durante toda noite, mas  que novamente era forçoso o adeus! Olharam-se em silencio, com lágrimas nos olhos o poeta viu seu amor desaparecer, agora não mais em forma de mulher, mas uma loba triste e solitária. Voltar-se-iam a se encontrar? Só o destino poderia responder. Mas ele estaria ali, todas as noites, esperando a loba que em seus braços se fazia mulher. Ansiando para matar a saudade, se completarem e fazerem amor.

Lá ao longe, sem que o poeta percebesse, a loba parou, olhou para trás e implorou em seu coração:

- Meu poeta, voltarei pra você, me espera. Não desista de mim...

Por: Sandra Paula

Um comentário:

  1. Nossa Sandra...agora pirei da batatinha. Que lindo texto! Uma capacidade surpreendente de tornar real a fantasia e fazer a leitura totalmente envolvente. Parabéns. Queria ter esta loba comigo sempre, para sempre. Belíssimo texto poetisa, beijos.

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